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18 de Julho de 2018

O depoimento de um dos principais criminólogos do Brasil sobre as armas

"Onde existem mais armas, existem mais suicídios e homicídios; Portar armas aumenta o risco de ser ferido ou morto num assalto"

Caio Targino Brasileiro, Estudante de Direito
há 3 anos

O depoimento de um dos principais criminlogos do Brasil sobre as armas

Passei a prestar atenção na questão das armas de fogo quando trabalhava no Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente), no final dos anos 1990, e a ONU (Organização das Nações Unidas) publicara um estudo internacional sugerindo que o Brasil era o país onde proporcionalmente mais se usava armas de fogo para cometer homicídios.

Havia uma percepção difusa de que as armas estavam de algum modo ligadas ao nosso crescente número de assassinatos – tanto que em 1997 o porte ilegal passou de contravenção a crime e é criado o SINARM (Sistema Nacional de Armas) – mas pouquíssimos estudos empíricos sobre o tema.

Como sempre, sofríamos do crônico problema da falta de dados e de pesquisas para embasar políticas públicas. A Lei 4937, de 1997, produziu um forte impacto na venda de armas no país e para reclamar da queda de 40% no faturamento, a indústria começou a divulgar seus dados. Na literatura internacional aventava-se a hipótese de que a taxa de suicídios local tinha forte relação com a disponibilidade de armas e agora dispúnhamos de dados para testar esta correlação no Brasil.

Este foi meu primeiro levantamento sobre o tema em 1999: tomamos as vendas anuais de armas da Taurus em 1997 e 1998, por Estado, calculamos a taxa de armas por habitante e comparamos com a taxa de suicídios disponibilizada pelo Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde). E ali estava: confirmando um levantamento internacional que Martin Killias fizera anos antes com 18 países, encontramos uma forte correlação (r=.58) entre a quantidade de armas vendidas nos Estados pela Taurus e suas respectivas taxas de suicídio. Não havia o tal “efeito displacement” (que afirmava que “quem quer se matar se mata de qualquer jeito”). Nos Estados com menos armas, menos gente se matava.

Hoje já está estabelecido que a relação entre suicídios e disponibilidade de amas é tão grande que, se você não sabe ao certo quantas armas existem em circulação num lugar, pode-se tomar a taxa de suicídio como uma medida substituta. Esta foi a estratégia seguida por Daniel Cerqueira, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aliás, para corroborar os efeitos do Estatuto do Desarmamento sobre a queda dos homicídios em São Paulo, em sua tese de doutoramento.

O principal motivo para se portar arma, segundo as sondagens de opinião, é a proteção contra crimes. A segunda razão é “se sentir forte” e a terceira “fazer boa impressão com os colegas”, como revelou a pesquisa de Nanci Cardia do NEV (Núcleo de Estudos da Violência, da USP), em 1999.

Mas será que a arma de fogo realmente protege quem a usa ou aumenta o seu risco? Esta foi a segunda oportunidade que tive de estudar o tema, como colaborador, em 2000, de uma pesquisa conduzida por Jacqueline Sinhoretto e Renato Lima para a Secretaria de Segurança de São Paulo. Em 1999, Ignacio Cano, do Iser (Instituto de Estudos da Religião), já estudara milhares de roubos no Rio de Janeiro e concluíra que o risco de levar a pior durante um assalto – ser ferido ou morto – era maior para quem tinha arma de fogo e reagira.

Os dados de São Paulo iam na mesma direção: segundo o DataFolha, cerca de 18% dos paulistas andavam armados. Entre as vítimas de latrocínio, 28% estavam armadas, sugerindo, portanto, que o uso da arma aumenta o risco de ser morto num assalto. O sociólogo Claudio Beato acaba de divulgar neste mês um estudo feito com 78 mil vítimas corroborando as conclusões destes levantamentos anteriores, usando dados da pesquisa nacional de vitimização.

A mídia dava muita atenção na época ao armamento pesado em mãos dos traficantes e os defensores das armas argumentavam que o grande problema da violência era causado por armas importadas, de grosso calibre, nas mãos dos criminosos. A discussão acabou pautando uma série de pesquisas sobre o tipo de armas envolvidos nos crimes.

Para a surpresa geral, os grandes vilões não eram os fuzis AR-15, mas os bons e velhos revólveres Taurus e Rossi, calibres.32 ou.38. Os criminosos valorizavam a indústria nacional. Foi o que detectou nova pesquisa do Iser, de 2000, analisando 590 armas apreendidas no Rio em razão de crimes: 57% eram Taurus e 31%, Rossi.

Em 2004, me encontrava na Secretaria de Segurança de São Paulo e pesquisando 15 mil armas apreendidas pela polícia encontrei números bastante parecidos: 56% eram da Taurus; 14%, Rossi. Levantamentos do Instituto Sou da Paz trazem os mesmos padrões. Assim caia por terra o argumento de que o perigo vinha de fora.

Foram esses estudos que subsidiaram o debate sobre a questão das armas de fogo e seu envolvimento com os níveis intoleráveis de homicídios no Brasil, e que ajudaram a criar um cenário favorável para a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003.

Não se trata, como alguns afirmam, de medida petista para preparar a revolução bolivariana no Brasil. A discussão começou bem antes e quase todo o projeto foi elaborado durante o período de Fernando Henrique Cardoso como presidente, sendo apenas fruto da dinâmica congressual o fato de ter sido aprovado no primeiro ano da gestão Lula.

A medida já constava do Plano Nacional de Segurança Pública de 2000, do qual tive oportunidade de participar. Acompanhei de perto o processo, tanto como conselheiro do Instituto Sou da Paz quanto como diretor da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), no último ano do governo FHC, e de fato o controle de armas era uma questão consensual na comunidade acadêmica bem como entre os principais partidos. Lembro de passagem que, durante o período como gestor do Fundo Nacional de Segurança Pública, autorizei a compra de milhares de armas pelas polícias, que, na minha opinião, são as únicas que devem portá-las.

Na época da aprovação do Estatuto tinha acabado de assumir a coordenação da CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento, órgão da Secretaria da Segurança Pública de SP responsável pela sistematização final e análise dos dados, onde os homicídios começavam a declinar lentamente desde a Lei de 1997, que transformou o porte ilegal de contravenção em crime.

Os dados de 2004 começaram a chegar e as diferenças eram nítidas: apesar do aumento das revistas e das buscas e apreensões, a polícia conseguia apreender cada vez menos armas. A proibição do porte e o aumento da punição e da fiscalização fizeram as armas saírem de circulação. Todos os indicadores mostravam isso: o número de armas perdidas pela população também caíra, junto com as apreensões de armas ilegais.

Como consequência da diminuição das armas em circulação – a queda dos homicídios medidos pelo Infocrim (a base de dados sobre a violência do governo paulista) e pelo Datasus – teve uma aceleração abrupta após dezembro de 2003. Estamos falando aqui de uma mudança de patamar, de uma quebra de nível na série histórica.

Usando series temporais e diversos procedimentos metodológicos (teste de Chow, análise de intervenção, modelos ARIMA, etc.) estimamos em 2005 que o Estatuto diminuiu em 12,9% o volume de armas apreendidas no Estado, em 14,8% os homicídios na Capital, em 17% as agressões intencionais com armas de fogo (Datasus), em 17,8% os latrocínios no Estado e em 25,9% na Capital.

Naquela época, munido dos dados do Infocrim, passei as estudar a morfologia da queda e a investigar todos as eventuais hipóteses para explicar o que ocorria em São Paulo, que apresentava quedas na criminalidade similares às festejadas quedas de Nova York, Cali ou Bogotá.

Os dados mostravam que a queda era generalizada no Estado, abrupta e ocorria em áreas ricas e pobres, afetava jovens e velhos, homens e mulheres, brancos e negros. A data do ponto de inflexão, a velocidade, força e características da queda sugeriam que o Estatuto do Desarmamento era o melhor candidato para explicar o fenômeno em São Paulo, ao lado de outras variáveis de alguma importância, como a demografia, uso do Infocrim, aumento na resolução de crimes de homicídio, melhorias na gestão das polícias e etc.

Diversos estudos, utilizando fontes e metodologias diferentes, corroboram o que encontrávamos na SSP. O Ministério da Saúde estimava em 2006 que o Estatuto invertera a tendência de crescimento linear da década anterior e que o impacto era da ordem de 24%.

Um grupo de epidemiologistas publicou na Health Affairs um estudo relacionando a queda no número de hospitalizações ao Estatuto. Utilizando dados da SSP-SP, diversas teses acadêmicas corroboravam os achados iniciais, como a de Gabriel Hartung, de Marcelo Justus dos Santos e de Daniel Cerqueira, três economistas que utilizam econometria pesada para garantir a robustez dos achados. Todos eles encontraram impactos significativos do Estatuto do Desarmamento sobre os homicídios em São Paulo.

Quando se sente inseguro, cidadão encara o risco de portar arma

Os ganhos não são permanentes. As armas estão guardadas nas casas e quando crescem os roubos e aumenta a sensação de insegurança, elas voltam a circular, como durante a crise econômica de 2009, que criou um “soluço” na tendência de queda dos homicídios em São Paulo. Trata-se de uma análise racional de custo-benefício: quando o cidadão se sente inseguro, encara os riscos de andar armado. Isso ajuda a entender porque os efeitos do Estatuto foram desiguais pelo país. Num dos últimos escritos sobre o tema, um artigo para a Revista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sugeri em 2011, com o apoio de evidências, que os efeitos foram maiores nos Estados do Sudeste e menores no Nordeste em razão das diferentes conjunturas e dinâmicas socioeconômicas destas regiões: onde o crescimento econômico foi acelerado, como nas capitais nordestinas, houve um aumento dos crimes patrimoniais e da sensação de medo, que levou a população a circular com suas armas e, consequentemente, a um crescimento dos homicídios na região.

Não havia “clima” para falar em desarmamento, ao contrário do Sudeste, onde a estabilidade e mesmo a queda de alguns crimes contribuiu para o sucesso da nova Lei.

Em linhas gerais, isso foi o que aprendi pesquisando a questão nestas duas décadas: onde existem mais armas, existem mais suicídios e homicídios; o estrago é feito pelas armas nacionais de baixo calibre, compradas legalmente e que terminam na mão dos criminosos; portar armas aumenta o risco de ser ferido ou morto num assalto; tanto a Lei 4937/97 quanto o Estatuto do Desarmamento tiveram efeitos significativos sobre os homicídios em São Paulo; estes efeitos são tanto maiores quanto melhor for a implementação e mais favorável a conjuntura.

Nos meus 30 anos de segurança pública, não encontrei nenhuma outra medida ou política pública que tivesse efeitos tão significativos sobre a criminalidade quanto o Estatuto teve. Agora o lobby das armas, aproveitando a conjuntura anti-governo, quer acabar com umas das poucas medidas que serviram para melhorar a segurança deste país.

Pouco adianta falar em pacto para a redução dos homicídios se o Estatuto for revogado. Os homicídios irão retomar com toda a força a trajetória linear de crescimento observada desde os anos 1980 até 2003. Foi o que ocorreu durante a farra das armas. É o que vai acontecer novamente caso o Estatuto seja revogado, na convicção quase unânime da comunidade acadêmica que se debruçou sobre o tema. Se está ruim com ele, ficará muito pior sem.

*Túlio Kahn é doutor em ciência política pela USP e considerado um dos principais criminólogos do país

Fonte: PonteJornalismo

131 Comentários

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Ter uma arma em casa, me protege do que?
Lá é o primeiro lugar no qual eu não preciso ter uma, porque tenho portas, janelas com grades, cachorros, vizinhos, telefones celulares e fixos para pedir socorro com tempo de ser socorrido.
Se o ladrão já entrou comigo, o melhor é que ele não encontre uma arma em casa.
Preciso ter uma arma na mãos, quando vou ao banco retirar dinheiro (nem sempre posso substituir esta ação), quando vou a um lugar perigoso, por exemplo, visitar um prédio vazio. Lá sou uma vítima em potencial. Preciso de uma arma para me proteger quando chegar em casa ou quando sair, para evitar que seja pego de surpresa nessa hora.
Bem, não existe policia que possa me dar cobertura nesses casos e tenho o direito de me defender. É minha escolha se prefiro morrer levantando as mãos ou enfrentando outra arma. Os latrocínios são crescentes e não preciso de estatística nenhuma pra ver que eles cresceram assustadoramente nos últimos anos e que a certeza de encontrar o cidadão desarmado facilita a vida dos bandidos, que hoje assaltam com armas de brinquedo tamanha essa certeza.
Eu tinha porte de arma, minhas filhas foram criadas comigo tendo armas, nunca tocaram nelas, sei muito bem como usar uma arma pois fui instrutor de armamento no exército e sempre convivi com elas. Armas nas mãos de leigos, isso sim um perigo.
Mas o ponto não é exatamente esse. O ponto é o seguinte - O desarmamento deve vir com a segurança. Então vejamos: Se tenho segurança, leis que são cumpridas à risca, baixa taxa de criminalidade, eficiência do estado na proteção do cidadão, pra que preciso de uma arma?
Agora, tirar a arma do cidadão e deixar a criminalidade em franca ascensão apostando na campanha - "Morra mas não reaja!" é reduzir seu direito à vida, é joga-lo na roleta russa do "talvez eu volte pra casa hoje".
Andar armado é a solução?
Não, a resposta é não! É ALTERNATIVA quando o estado é omisso, incapaz e desinteressado. Exatamente nosso caso.
Vou morrer, isso é certo, não serei eterno. Se de susto, bala ou vício, a vida dirá.
Mas que não seja como carneirinho, vítima de leis ridículas que cobram atitudes, mas não entregam direitos.
Minha noção de cidadania não me permite tomar atitudes contrárias às leis, portanto, hoje não tenho armas. Mas desejo ardentemente voltar a ter uma. continuar lendo

O posicionamento mais realista que li até o momento! continuar lendo

Exato, preciso, perfeito continuar lendo

Sabe o que diz. continuar lendo

É assim que pensava também.

Mas diante desse tanto de dados relevantes, meus argumentos parecem vazios.

Já estive com uma arma apontada na cabeça e o bandido verificando minha cintura para ver se estava armado. Talvez, se ele encontrasse algo eu não estaria aqui escrevendo essa palavras.

Quando o abordam, geralmente, você não está esperando. Ele já está com a arma em punho e mirado em você. Qualquer movimento em falso, já era. Eu estava com minha noiva lanchando e do nada aparece os dois caras armados já apontando. Ele veio em minha direção, talvez eu tenha cara de policial, e me revistou. Senti o cano gelado e um leve empurrão com o cano da arma. Não tinha o que fazer, armado ou não.

Foi mais seguro pra mim estar desarmado naquele dia. continuar lendo

Rodrigo:
Já passei por diversas situações desse tipo.
Em algumas sobrevivi por não estar armado, em outras, por estar e também, apesar de estar.
Você sobreviveu, por sorte, nada mais. Não estava atento exatamente porque não estava armado ou preparado para ser abordado.
Como disse no comentário, armas nas mão de leigos, é um perigo. Eu me sinto preparado para usar uma, sei como fazer. Andei armado alguns anos. Nunca tirei minha arma do coldre para exibi-la ou para ameaçar quem quer que fosse. Mais fácil eu levar uma surra armado do que sem armas. A arma te coloca em posição de vantagem e você precisa saber administrar essa situação. Não faz de você um super herói, mas deve transforma-lo em um cidadão super responsável.
Quantos policiais são mortos em assaltos? Eles estão armados e são treinados para usa-la, mas em um determinado momento deixam de estar atentos e aí....já pode se tornar tarde. Andar armado não será nunca obrigação, só desejo que seja opção. É um desejo absolutamente democrático. É a minha opção e pode ter certeza, que estou levando a sua colocação em consideração. continuar lendo

Concordo plenamente com o caríssimo colega José, andar armado não é solução para problema algum, entretanto, com o descaso do Estado brasileiro para com sua população, é extremamente necessário que o cidadão se defenda. continuar lendo

Concordo plenamente com o caríssimo colega José, andar armado não é solução para problema algum, entretanto, com o descaso do Estado brasileiro para com sua população, é extremamente necessário que o cidadão se defenda. continuar lendo

Muitos bandidos estão matando inclusive quem não esboça reação! Se vamos morrer mesmo, antes morrer lutando pela vida! continuar lendo

Óbvio que para poder estar armado seria necessário psicotécnico, cursos etc... ninguém aqui e a favor de simplesmente comprar uma arma! continuar lendo

Meu Deus... Você deveria dizer isso em rede nacional amigo. Brilhante! continuar lendo

Brilhante comentário! É a insegurança e omissão do Estado que leva à compra de armas, o que, diga-se de passagem, não resolve o problema, além dos riscos naturais, como, por exemplo, o manuseio por pessoas despreparadas!
Entretanto, quando se percebe que a violência está sem controle, o jeito é mesmo ter uma ! Melhor correr o risco defendendo a própria vida e a da família, mesmo em desigualdade de condições, que morrer sem ao menos ter chance de se defender, como acontece na maioria das vezes!
É lógico que nem sempre é possível reagir, caso em que o criminoso está senhor da situação! Logo, é preciso saber quando e o momento certo em que se deve sacar a arma para escapar da morte! continuar lendo

É isso aí José Roberto. Somente um "entusiasta do estudo das Relações Humanas e seus Comportamentos" poderia pensar diferente. Pesquisas e estatísticas pode ser dirigidas para o que se quer "trabalhar". Pequeno exemplo: 100% das pessoas que bebem água morrem. Falei alguma barbaridade? continuar lendo

Caro José, acho que os policiais morrem pois sempre estão armados.

Claro que estou vivo por sorte. Mas ele veio direto na minha cintura. É impossível viver atento 100%, os que tentam ficam paranoicos. A polícia está cheia de doentes pois é uma carga muito pesada.

Estou aqui pra contribuir, não sou o dono da verdade.

Obrigado também pelo comentário.

Um abraço. continuar lendo

... Se o marginal vai se valer de armas de fogo para tentar me render... Eu, idôneo, tenho o direito como cidadão de me defender com arma de fogo!

- Digo mais:... Se o bandido para me roubar pode até me matar, eu cidadão de bem, deveria ter o direito legal da LEGÍTIMA DEFESA DOS BENS, mesmo que o faça pelas costas, quando o salafrário tenta se evadir como meus bens...etc.

... Se aprovarmos a lei de legítima defesa dos bens... Acabaria com a farra dos dois bandidos: do enriquecimento de políticos pelo sistema carcerário equivocado e dos ladrões...(...)...etc... continuar lendo

voto com o relator continuar lendo

Sr. Rodrigo, o que entrega vantagem à pessoa armada é o fator surpresa. No caso do seu assalto, o criminoso estava de posse desse fator. Mas e quando a vítima está com o fator em mãos? Armada e com treinamento, as chances dela evitar ou cessar o crime são maiores do que ela sofrer violência (inclusive se tivesse desarmada).

Policiais não morrem porque estão sempre armados. Até porque muito policial não anda armado fora do serviço (alguns até no serviço). Morrem por diversos motivos, que vão desde falta de treinamento adequado até falta de atenção ao que ocorre em sua volta. E, mesmo assim, possuem mais êxito em confronto com criminosos do que mortes.

Só para ilustrar: o criminoso que te assaltou procurou uma arma. Um grande amigo meu, empresário, desarmado, não foi revistado, mas o assaltante lhe deu um tiro que tirou sua vida. E não foi porque o criminoso suspeitou que ele estivesse armado. Com ou sem arma, ele iria morrer por causa da falta de humanidade do criminoso. Armado talvez ele tivesse uma chance de estar vivo...

Abraços! continuar lendo

Quanto ao suicídio, posso dizer com certeza, baseado em experiência pessoal, que quando se quer cometer, acha-se um jeito: sou policial civil e já atendi inúmeras ocorrências de suicídio, inclusive de pessoas que tinham armas de fogo em casa. O principal método ainda é a forca. Há ainda os venenos, remédios e para aqueles mais ligados na ciência, o CO2, que por incrivel que pareça, há quem use.

O que vejo ocorrer é que o pesquisador assume uma posição e busca os números para justificá-la. Falta honestidade intelectual para deixar a realidade falar: isto é pesquisa, o resto é justificação de uma hipótese previamente eleita. O problema não é o instrumento causador das mortes, mas sim os motivos, a causa. A ação de matar pode ocorrer até com um cordão de sapato ou um pedaço de concreto.

Pesquisar é muito bonito, dá status acadêmico, atrai um monte de carícias ao nosso ego. Mas devemos pesquisar com honestidade, profundidade e por dever: muitas pesquisas sobre um problema, sem a devida qualidade, mais atrapalha que ajuda na solução.

Quer pesquisar a criminalidade? Não se limite a analisar números. Passe um tempo em cada uma das instâncias que trata desse problema. Há muitas: Conselhos Municipais de segurança, onde se pode ver do que o cidadão reclama, os problemas que incomodam aquele núcleo social; Polícia Militar, onde poderá entender, por exemplo, como nasce um membro de grupo de extermínio, como os policiais que correm risco de morrer todo dia na rua, sem o mínimo de apoio moral, enxergam o criminoso violento; Polícia Civil, onde poderá entender o por quê de termos uma investigação criminal tão ineficiente, onde tanto os direitos da vítima, que por vezes não recebe a prestação que merece, quando do autor, que por vezes é indiciado sem o mínimo de suporte probatório, ficando carimbado, não recebem a atenção determinada constitucionalmente; Unidades Prisionais, onde poderá ter contato com os presos, entender seus códigos, os motivos de estarem na criminalidade e como enxergam o sistema.

Quanto mais pesquisadores puderem produzir um trabalho de qualidade com base na convivência diária com o problema, mais rápido evoluiremos. Trabalhos que arranhem a superfície e reproduza bordões só causa confusão e atraso. continuar lendo

Depois que a fabrica TAURUS, comprou a fábrica de armas BERETTA , A política do governo, aprovou a Lei do desarmamento.
Hoje os homens políticos ostentação;
andam com carros blindados, quatro seguranças. Sem medo de nada.

Agora eu, desarmado fico, com minha família o vítima ideal.

O que fazer, eu, você, todos nos vamos chorar, é só chorar, continuar lendo

Concordo com a sua opinião. O estado não é onipresente e jamais será, aqui ou em qualquer parte do mundo.
O segundo ponto é que, alguém com arma legalizada, terá endereço fixo e portanto será "localizável", portanto não sairá atirando para o alto.
Este estatuto do desarmamento foi um grande golpe contra a sociedade de bem. continuar lendo

Excelente!

O que queremos é o porte de arma para quem deseja ter, devemos ressaltar que o acesso de arma também não é limitado apenas ao porte
mas sim a prática esportiva, que por causa do estatuto impões graves restrições desde a aquisição quando a regularização das mesmas. continuar lendo

Um monte de ilações desvestidas de concretude. O autor do texto faz uma série de declarações do tipo: "onde existem mais armas, existem mais suicídios e homicídios". Legal, mas qual a fonte? Quais os números? Onde foi realizada a pesquisa e qual método?
Nos EUA, todos sabem, o número de armas de fogo é impressionante, é quase 1 pra 1; compra-se arma como se você fosse comprar pão no mercado... No entanto, a taxa média de homicídios é menor que no Brasil. Por quê? Simples, porque não é essa a raiz do problema. Ademais, os efeitos positivos do porte e da posse de arma legalizados são extremamente relevantes: causam uma grande incerteza no delinquente.
A origem das armas do crime é, quase em sua totalidade, ilícita, advinda do contrabando. Muitas das armas produzidas no Brasil que estão nas mãos dos criminosos são produzidas aqui, levadas a países vizinhos e, após, retornam. O México é o 9º país em que mais há homicídios por arma de fogo... Mas o México não tem fábricas de armas. Por isso, tal assertiva também não leva a nenhuma conclusão.

Harvard apontou recentemente, em um estudo, que a liberação de armas de fogo (posse) tende a diminuir a criminalidade.

Há pouco, o RJ começou a cogitar proibir a utilização de armas brancas, que são armas impróprias. Logo tentarão nos proibir de utilizar as mãos, afinal, elas também podem ser usadas para matar.

Enquanto o ser humano procurar a solução errada para os problemas, continuará sofrendo com os mesmos reflexos.

Não se cogita uma liberação extrema, nos moldes Estado-unidenses, mas ao menos uma flexibilização e requisitos OBJETIVOS, sem tanta discricionariedade da autoridade para decidir se quer ou não me conceder tal direito. continuar lendo

Criticou o autor por não apresentar as fontes, no entanto não apresentou as suas. continuar lendo

Hyago:
Não me apoio nas estatísticas americanas ou de outros países, porque vivemos uma experiência só nossa. Nossos vizinhos são a Colombia, a Venezuela, o Uruguai, o Paraguai, o Peru e somos uma tentativa mal sucedida de liderança da América do Sul, quase um mito no continente americano e europeu.
Mas, precisamos chegar lá e a sua colocação deixa claro para mim que, se países com muito mais história e cultura sofrem dos mesmos problemas, por que deveriamos ser diferentes?
O que você colocou sobre o Rio de Janeiro eu já citei também. Acho perfeito. Não são as armas que matam. O que mata é a violência que reside nas pessoas. Trabalhem as causas dessa violência e daremos com prazer adeus às armas, ou então, vamos cortar as mãos, retirar os dentes e sei lá mais o que pra impedir que as pessoas demonstrem a violência que carregam em si.
Parabéns pelas sua colocações. continuar lendo

Hyago, você tem toda razão, o que podemos perceber é que as pessoas que manipulam os dados o fazem sempre de maneira a privilegiar seu modo de pensar e a causa a qual defendem. Tentam nos fazer acreditar em todos os números que apresentam, sem citar fontes e sempre considerando números absolutos, não levando em conta uma análise mais apurada com suas nuances e efeitos causais.

A parcialidade de raciocínio equivale a dizer que como os veículos automotores geram muitos acidentes com vítimas, deveríamos proibir seu uso.
Ou ainda, afirmar que os policiais morrem mesmo estando com suas armas (parece uma tentativa de responsabiliza-las por isto), também poderíamos dizer que "cotovelos" também causam óbitos, uma vez que todas as pessoas que morrem, estão com seus cotovelos. Ou tudo trata-se de pobreza de raciocínio ou muita má fé na divulgação de informações.

Outros ainda dizem que se forem assaltados e estiverem armados, poderão morrer por esta razão, ora, é muito simples, aquele que acredita nisto terá toda a liberdade de não portar uma arma, mas não deve querer impedir que outros que desejem, possam porta-las.
É evidente que nenhum indivíduo em sã consciência irá pretender andar armado sem ter um bom treinamento de como utilizar esta arma, assim como também não pretendemos que pessoas desequilibradas e de comportamento explosivo possam porta-las, por esta razão, o porte deveria ser liberado sob forte controle, tanto de treinamento no uso da arma quanto psicológico para avaliar o grau de impulsividade das pessoas que estão aptas a possuírem, ou não, um porte de arma. Além de tudo isto, critérios como ficha "criminal limpa" devem ser fundamentais na liberação do documento de porte.

A pretensão não é armar toda a população indiscriminadamente, mas sim, sob rígidos critérios e controles. O simples fato de saberem que um percentual maior de cidadãos estarão armados para defesa de suas vidas, ou eventualmente, para a defesa de vida de outrem, será um forte inibidor para que não ocorram os assaltos em avenidas completamente lotadas e congestionadas de veículos e pessoas, e sob a luz do dia, como hoje está ocorrendo. Os bandidos sentem-se seguros em assaltar no meio da multidão, uma vez que sabem estar ameaçando pessoas desarmadas e sem chance de qualquer reação.
A sorte (da vítima), ou o azar do bandido de encontrar um policial armado em um dos veículo nas redondezas de onde esteja agindo, é estatisticamente muito baixa, e somente por esta razão "trabalham" tranquila e ousadamente nos congestionamentos ou semáforos em vias como, Juntas Provisória ou Avenida 23 de Maio, como já assisti, ou ainda, na Rua Bandeira Paulista, esquina com Tabapuã, a somente a uma centena de metros de uma delegacia, como já fui rendido e assaltado em um semáforo. continuar lendo

Discordo plenamente do autor do texto. Acredito que ele, assim como muitos excelentes estudiosos, baseiam suas pesquisas somente em números, em porcentagens. Com a devida vênia, tal pesquisa não leva em conta o dia a dia das pessoas. O cidadão hoje em dia está acuado diante dos marginais armados, que deitam e rolam diante da população. Acredito que o Estado brasileiro falhou miseravelmente nas políticas do desarmamento. Ora, desarmar o pai de família, enquanto o marginal continua armado, aprontando de todas por ai, é um grande injustiça, não? Com relação ao suposto aumento na taxa de homicídios apontada pelo autor, acredito que realmente possa haver um aumento, com certeza esse aumento estará ligado ao fato da haver mais pessoas armadas. Isso é um fato lógico, o cidadão antes acuado, agora vai reagir diante do marginal armado, nessa disputa, provavelmente haverá um perdedor. Enfim, desculpem-me os colegas do Jus pela forma "comum" como retratei minha opinião, mas acredito que o desarmamento da população foi uma das maiores “pedaladas” do últimos anos no Brasil. Afirmo, a ideia é excelente, entretanto, a sua aplicação é ineficaz, falha. Nesse contexto, o cidadão de bem não pode pagar por um erro do Estado, e sim, deve ser proteger por conta própria já que o Estado não cumpri sua obrigação de forma correta. continuar lendo

Povo desarmado não tem como reagir, Desarmamento foi uma grande burrada. continuar lendo

Conheço o tipo. O cientista universitário, em sua torre de marfim. "Maiores criminologistas do Brasil"? Jamais ouvi falar desse ilustre desconhecido. Duvido que atue com criminologia, para começar. Não apresenta fontes, nem dados.

Tirou suas conclusões de onde? Ninguém sabe, ninguém viu. Eu tenho uma suposição quanto a origem de tal opinião, mas vou me eximir de expor aqui, a bem de manter o nível do debate.

O fato é que, onde há armas legalizadas, há uma tendência à redução da criminalidade. Um motivo sociológico rasteiro; o criminoso, avaliando as probabilidades de ônus e bônus decorrentes da sua conduta, irá considerar as chances de levar um tiro na ação, e ponderar com essa possibilidade. continuar lendo

Pois é, fiquei com a mesma sensação! continuar lendo

Em país civilizado! Aqui o cara vai usar para matar a esposa "traidora", o cara do trânsito, o rival da briga na boate, o vizinho chato! A vida real é bem diferente da nossa realidade "classemediana". continuar lendo

Você reclamou que o cara não deu fontes nem dados(apesar de que durante todo o texto, o autor citar suas fontes e explicar bem a origem dos dados), mas ao final apresenta uma conclusão sua, sem fontes nem dados.

Discutir o desarmamento com os defensores do porte de armas é como discutir a evolução das especies com os criacionistas. Por mais que se apresente provas e mais provas, eles preferem ficar com suas suposições e seus preconceitos, prefere o argumento "tá na bíblia" do que a argumentação cientifica. continuar lendo

Mozart, está aqui a fonte que você queria, um infografo que relaciona armas a taxa de homicídio:

http://www.estadao.com.br/infograficos/armas-possexhomicidios,internacional,208460 continuar lendo

Mozart, está aqui as fontes que você queria, um infografo que relaciona armas a taxa de homicídio:

http://www.estadao.com.br/infograficos/armas-possexhomicidios,internacional,208460

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1974

No segundo link, ele aponta diversos pontos, entre eles um estudo da MELHOR universidade do mundo:

http://www.theacru.org/harvard_study_gun_control_is_counterproductive/

Então, comparado A Harvard, a USP não é nada, e está ai seus dados.

Só para apontar, sou Ateu, e sei debater muito bem sobre todos os dados apresentados, e aponto que todos, todos, podem ser refutados com pequenas pesquisas. continuar lendo